quarta-feira, 30 de outubro de 2019

Balada da felicidade

Série: Psicologicamente poético

Balada da felicidade

Roda de amigos
Juntos comigo
Sem terem pressa;
Ver os parentes
Numa conversa
Rindo contentes;
São, na verdade,
Felicidades.

Jantar à mesa;
Uma bebida;
A sobremesa;
Uma canção
Que nos reviva
Uma emoção;
São, na verdade,
Felicidades.

Campos em flores;
Poder do mar;
Mundo de cores;
E, finalmente,
Poder amar
O amor da gente;
São, na verdade,
Felicidades.

Felicidade
Não tem idade
E nem tem hora.
Que tal agora?

                         Roberto Policiano



quarta-feira, 23 de outubro de 2019

Série Quem você pensa que é?


Quem você pensa que é?





O título desta série é uma provocação e os textos são convites para reflexões. Minha intenção não é mostrar uma fórmula pronta para os temas abordados, mas possibilidades a serem pensadas, que podem ser aceitas ou descartadas. Muitas vezes pensamos e agimos de determinadas maneiras sem nem mesmo saber por que, nem de onde veio esse nosso modo de ser. A ideia por detrás das abordagens aqui é mostrar a quem as lê que um assunto pode ser visto de outro modo, sem ter a presunção de indicar um caminho, mas, sim, a ousadia de convidar a quem ler a ‘pensar sobre’. É comum concluir que somos o que somos porque já nascemos assim. Alguns dizem que temos a nossa própria essência e ela é imutável. Será verdade?

 Herdamos, de fato, muitas coisas ao nascer, como, por exemplo, um organismo, que pode facilitar ou dificultar nossa existência. Viemos à existência em uma família, num bairro, numa cidade, num Estado, num país, num planeta, numa galáxia. Tais fatos interferem em nossa vida significativamente, mas eles não necessariamente determinam o nosso destino, a menos que permitamos isso.
Nós vivemos em determinada época que traz valores, dogmas, fantasias, medos e perspectivas. Ao nascermos somos cuidados por uma família que carrega consigo peculiaridades que a faz diferente de todas as outras e, ao mesmo tempo, parecida. Por exemplo, nossa mãe herdou de nossa avó um modo de preparar as refeições. A última aprendeu isso com nossa bisavó, que, por sua vez, foi ensinada por com nossa tataravó. Deste modo podemos nos acostumar com temperos passados por várias gerações. No entanto, ao nos tornarmos adultos, podemos escolher continuar neste mesmo processo ou optar por alimentos e temperos diferentes. Circunstâncias mudadas também podem interferir no que comemos.

Aprendemos com nossa família um ‘modo de viver e encarar a vida’. Mas quando interagimos com pessoas de outras famílias - na creche, escola, bairro ou emprego - descobrimos outros modos de viver e, novamente, podemos escolher uma ou outra maneira e, muitas vezes, fundi-las ou criar uma nova.

Certas coisas nós adotamos como nossa, porém, algumas delas parecem nos incomodar ou não nos satisfazer, mas nem sempre percebemos que podemos escolher. A expressão ‘sempre foi assim’ pode parecer verdadeira e muitas vezes nos impedem de ver que ‘não precisa continuar assim’, pois podemos tentar o ‘diferente’.

Às vezes quando chegamos à fase adulta deduzimos que finalmente alcançamos nossa independência, no entanto, sem perceber, estamos enredados num modo de ser que nos aprisiona. O fato é que somos moldados gradativamente e de várias maneiras durante nossa existência. Com o passar do tempo nos tornamos ‘produtos fabricados’ pela sociedade sem nos darmos conta disso. Ou seja – pensamos que somos aquilo que escolhemos ser – porém, uma análise cuidadosa pode revelar que muitas coisas que acreditamos serem decisões pessoais, foram inseridas em nossas vidas por outros. Não há nada de errado em indicar o caminho para outros, nem de escolhermos o trajeto indicado por eles. Isso faz parte do processo existencial. O problema estar em simplesmente seguir um rumo apresentado sem refletir sobre isso. Cabe a cada um de nós escolher nossa trajetória entre as possibilidades apresentadas por outros e, ou, encontrada por nós.

            Jamais devemos terceirizar nossas decisões. Não decidir nada não nos isenta da responsabilidade, pois ‘não escolher’ já é uma escolha.

            Nos textos desta série procuro, em situações corriqueiras, mostrar que temos a liberdade de escolher e, assim, assumirmos a responsabilidade pelas opções adotadas.

Roberto Policiano

quarta-feira, 16 de outubro de 2019

Apresentação

Prezadas e prezados,
Criei este blog com a intenção de compartilhar alguns textos que tratam sobre a vida.
"Sendo", o título deste espaço, tem a ver com o ato contínuo de ser, baseado na fenomenologia.
Minha intenção não é mergulhar nesse termo com profundidade, mas apresentar situações de pessoas sendo, ou seja, atuando como ser, junto a outros seres, no mundo onde atuam.
Não tenho a pretensão de mostrar caminhos, saídas, soluções, para nossos conflitos pessoais, mas provocar reflexões. Para tanto, produzi alguns textos com esse objetivo.
Vou trabalhar com dois títulos:

- Quem você pensa que é?

- Psicologicamente poético.

No primeiro criei narrativas de situações do cotidiano em que as personagens são surpreendidas, ou podem nos surpreender, com questões que surgem e que precisam ser tratadas.
No segundo, como o nome sugere, as questões psicológicas aparecem em forma de poesias.
Pretendo postar os textos semanalmente, todas as quartas-feiras, alternando os títulos acima.
Um abraço!

                                                                                                                              Roberto Policiano