Série: Psicologicamente poético
Embrutecidos
De
repente é sexta
Logo
após, segunda,
Como
a uma roleta
A
rotina nos circunda.
Janeiro,
maio, outubro,
Rola
o ano enlouquecido
E
nós, prisioneiros nesse tubo,
Tornamo-nos
embrutecidos.
Passa
a vida como um poste
Visto
da janela do trem
E,
quanto menos goste,
O
passageiro é mais ninguém.
Somos
conhecidos por números
Registrados
em documentos,
Equacionados
em meros
Percentuais
para argumentos.
"Fez-se
tantos para algumas";
"Conseguiu-se
tais melhorias";
Mão
incisiva que empunha
Provas
de boas parcerias.
Já
não pulsam corações,
A
não ser em laboratórios;
Não
para medir emoções,
Mas
preencher relatórios.
Se
bater tantos por minutos
Os
impulsos estão normais.
Fomos
reduzidos a diminutos
Biológicos
funcionais.
Roberto Policiano