quarta-feira, 25 de novembro de 2020

Embrutecidos

 Série: Psicologicamente poético


Embrutecidos

 

De repente é sexta

Logo após, segunda,

Como a uma roleta

A rotina nos circunda.

 

Janeiro, maio, outubro,

Rola o ano enlouquecido

E nós, prisioneiros nesse tubo,

Tornamo-nos embrutecidos.

 

Passa a vida como um poste

Visto da janela do trem

E, quanto menos goste,

O passageiro é mais ninguém.

 

Somos conhecidos por números

Registrados em documentos,

Equacionados em meros

Percentuais para argumentos.

 

"Fez-se tantos para algumas";

"Conseguiu-se tais melhorias";

Mão incisiva que empunha

Provas de boas parcerias.

 

Já não pulsam corações,

A não ser em laboratórios;

Não para medir emoções,

Mas preencher relatórios.

 

Se bater tantos por minutos

Os impulsos estão normais.

Fomos reduzidos a diminutos

Biológicos funcionais.



Roberto Policiano

2 comentários: