Cara a cara
Acordou com uma sensação estranha. Parecia que lhe
faltava alguma coisa, embora não soubesse o quê. Enquanto a água morna do banho
percorria seu corpo, sentiu um vazio incomum. Isso fez com que pensasse:
- O que é isso?
À mesa, enquanto comia apressadamente - como fazia todos
os dias - percebera que levara consigo aquele sentimento estranho.
Antes de sair foi até o espelho do quarto para
inspecionar sua aparência. Assustou-se com o que viu. Sua imagem estava com os
braços cruzados e uma cara desse tamanho. Antes de se recuperar da surpresa,
ouviu sua imagem dizer:
- Sabe o que é essa sensação de vazio?
Olhou para trás a fim de encontrar quem lhe dirigia a
palavra.
- Sou eu mesma que estou falando - a sua própria imagem.
- Mas, como?
- Como isso aconteceu não importa nada aqui, mas, sim,
por que isso aconteceu.
- O que você - ou eu - sei lá, quer dizer com isso? O que
está acontecendo comigo? Estou falando com minha própria imagem?
Examinou cuidadosamente em volta do espelho pensando
tratar-se de um truque.
- Como sempre você não quer acreditar, não é verdade?
- Mas o que está acontecendo aqui?
- Se tiver um pouco de paciência posso lhe explicar.
- Que paciência que nada, preciso correr para não me
atrasar.
- Esse é o seu problema. Vive correndo tanto que nem tem
mais tempo para você. Esse vazio que lhe incomoda é saudade. E sabe de quem? De
sua própria pessoa! Pare e pense um pouco, só um pouco, por favor. Aonde
chegará com essa pressa? Faça uma reflexão e contabilize - se conseguir - quanto
tempo tem reservado para si. Sua ocupação é tanta, seus compromissos são
tantos, tem corrido tanto para...
- Sinto muito, mas não posso esperar mais. Outro dia a
gente conversa.
Saiu correndo para não perder a hora. Nem reparou nas
lágrimas que rolaram na face de sua própria imagem.
Roberto Policiano
Foi isso que foi a minha vida agora velha tenho muito tempo mais todos se foram pra longe e estão repetindo o mesmo que eu
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