quarta-feira, 15 de janeiro de 2020

Ser no mundo

Série: Psicologicamente poético


Ser no mundo





Eis que me apresento

Diante de pessoas de todas as idades

Para dizer que a vida

Nada é mais do que aprender

A festejar e a sofrer,

O que não é novidade.



Confesso que, vivendo,

Fiz vários papeis de tolo

E, algumas vezes, de esperto.

Com isso fui aprendendo

Que a vida é como um jogo,

Cujo desfecho é incerto.



Já elevei a minha voz

Quando devia amainá-la,

E calei-me assustado

No momento de usá-la.

No entanto, para meu alento,

Já disse a palavra certa

E na medida correta,

Extirpando de vez um lamento.



Carrego uma mágoa comigo

Que não dá para evadir:

Quando eu devia ser amigo

Equivoquei-me e agredi.

Porém, já emprestei os meus ombros,

Já estendi os meus braços,

Recuperei de escombros

E confortei em abraços.



Quando achei que era forte

E que suportaria tudo,

Uma brisa, vinda do Norte,

Deixou-me prostrado e mudo.

Por outro lado, em minha fraqueza,

Quando achei que acabaria mal,

Resisti, como a uma fortaleza,

A fúria de um vendaval.



Hoje, das coisas que ouço,

Há palavra que me afaga

E expressão que me dói.

E, para ser franco e aberto,

Algumas vezes acerto,

Em muitas, porém, eu me engano.



Agora, finalizando, confesso:

Eu não sou bandido e nem herói,

Sou simplesmente humano.

Roberto Policiano

4 comentários:

  1. A mais pura verdade em forma de poesia. Amei
    Vou compartilhar

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    Respostas
    1. Obrigado, Renata, pela visita, por sua participação em comentar, e por compartilhar o blog.
      Um abraço!

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  2. Excelente, muito bom, gostei.

    Luiz Antonio Ferraz do Carmo

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