Retomada
Numa
retrospectiva
Viu-se
em sua meninice.
Notou
o sistema a lhe rodear,
Engolindo
sofregamente,
Segundos,
minutos, horas,
Dias,
semanas, meses e anos.
E
o que lhe parecia eterno
Fluiu-se
como fumaça no ar.
Deu-se
conta do turbilhão
Onde
estivera todo esse tempo.
Examinou-se
e, por um instante,
Sentiu-se
resto, raspa,
Do
que fora antes.
Sua
carne, agora amarrotada;
Seus
cabelos frágeis, ralos
E
quase sem pigmentação;
Suas
mãos trêmulas e fracas;
Suas
pernas débeis e vacilantes-
Eis
o seu saldo
Na
conta da vida.
O
sentimento de injustiça
Quis
abalar-lhe,
Mas
afastou isso de si.
Se
havia resto,
Se
havia raspa,
Havia
vida,
Vida
havia;
E
era sua,
Estava
ali
Ao
seu dispor
Para
dividir
Com
quem quisesse.
Assim,
ergueu-se,
Livrou-se
do pó,
E
caminhou.
Se
o passo é firme
Ou
vacilante,
O
que importa?
Se
a força mingua,
Se
a vida finda,
Não
interessa.
E
decidiu
Viver
a vida
Sem
mais ter pressa.
Numa
ousadia
Tomou
as rédeas
Do
próprio tempo.
Cada
segundo,
Minuto,
ou hora,
Sim,
cada dia,
Semana,
mês, ou ano,
Seria
seu
Esse
era o seu plano.
E
pressentiu o turbilhão
De
onde escapara
A
reclamar-lhe
Este
controle.
Mas
desdenhou
Esse
pedido
E,
confiante,
Seguiu
em frente.
E
eu me arrisco
A
lhe dizer:
Seguiu
contente!
Roberto Policiano
O comentário removido foi um teste. Não faço remoção de comentário.
ResponderExcluirNão importa o quanto nos resta da vida, mas sim,estar viva e ter vivido, tudo, tudo intensamente, como eu vivi eufórica e exageradamente tudo.
ResponderExcluirMARA